Bosque do Papa, onde a memória é revivida

O bairro Centro Cívico em Curitiba é onde estão localizados os principais prédios governamentais do estado. Essa região também reserva um bosque. Visitá-lo é como viajar no tempo.

Saindo da experiência moderna oferecida pelo Museu Oscar Niemeyer, basta caminhar alguns passos, para se deparar com um portão entre árvores. Um passo a frente e você está em um universo diferente. Plantas nativas, como araucárias, te envolvem e te fazem esquecer de que está em um grande centro. Seguindo a trilha de pedras, você irá chegar a uma vila típica das primeiras décadas do século XX.



Numa clareira estão oito casas feitas de troncos de madeira encaixados, sem um prego sequer. O que antigamente foi moradia de famílias de imigrantes poloneses do Paraná, foi realocado para servir de Memorial da Imigração Polonesa.

Alguns bancos de praça ali colocados fornecem o apoio ideal para quem gosta de ver o tempo passar ouvindo o cantar dos pássaros e sentindo a brisa sobre a pele. Com sorte, você pode desfrutar também do brilho do sol sentado em um desses bancos. A história da Imigração Polonesa também está ali.

 Objetos pessoais estão em uma das antigas moradias, revelando aos visitantes que chegam de cidades diversas um pouco sobre o estilo de vida à época. Outra construção é hoje uma capela, lembrando quão religiosos são os poloneses. Referências a personalidades polonesas e polônicas são constantes no memorial, ganhando inclusive uma casa inteiramente dedicada a elas. O maior homenageado, claro, é o próprio Papa João Paulo II, por quem os poloneses têm adoração.

Para quem quer provar alguns quitutes da culinária polonesa e levar souvenirs para casa, há também um espaço para artesanatos, onde também são vendidos tortas e outros doces. Atrás do balcão e rodeada por penduricalhos poloneses dos mais variados tipos, normalmente está Danuta. A senhora já não tão jovem é quem administra o espaço. São dela também muitos dos objetos que se expõem por ali. Em julho, eram pessankas, artesanato típico da Europa eslava feito sobre a casca de ovos. Em agosto, são relíquias trazidas de Jasna Góra, santuário onde está o quadro considerado milagroso de Nossa Senhora de Czestochowa, a Rainha da Polônia. É porque no dia 26 de agosto, comemora o dia da santa e nesse período, homenagens à Virgem são prestadas em diversas colônias polonesas no Brasil.

No próximo domingo, 9 de setembro, o Bosque vai ser o local de encontro da comunidade polônica e de simpatizantes, para celebrarem juntos uma missa em homenagem à Czestochowa. Assim, no espaço dedicado à memória, o presente também vai sendo construído.

Ao organizar homenagem à cultura trazida ao Brasil por imigrantes, seja com celebrações ou com apresentações artísticas, o espaço se converte também em um ponto de encontro de uma comunidade. São esses encontros que tornam a cultura viva e evitam que ela se perca com o passar dos anos.

[+/-]

Bosque do Papa, onde a memória é revivida

Sobre este blog

Se tenho um blog e tenho um trabalho de faculdade a fazer, porque não compartilhar essas histórias? Decidi escrever aqui sobre as pessoas que encontro durante a realização do projeto experimental para conclusão do curso de Jornalismo na UFSM. Espero que a leitura desses erelatos seja um prazer.

Quem sou eu

Brazil
Estudante de jornalismo. Uma polaca paranaense perdida nas terras gaúchas, mas que não esqeceu suas origens, pois, como disse Paulo Leminski, "pinheiro não se transplanta".

Marcadores