No fim do século XVIII, a Polônia deixou de existir como país e seu território foi dividido entre Rússia, Prússia e Áustria. O povo polonês sofreu muito sob domínio dos opressores e, por isso, são dessa época os maiores fluxos de imigração polonesa para o Brasil. A ocupação também influenciou culturalmente os poloneses que permaneceram no país. Embora seja um país pequeno, quase do tamanho do estado do Paraná, as diferenças entre os povos de cada região são bem visíveis. São patriotas, mas tendem sempre a exaltar sua região em detrimento das demais.
Durante os 123 anos de dominação estrangeira, a sede do domínio prussiano encontrava-se em Poznan, às margens do Rio Warta. Naquela época os prussianos determinaram que somente três anos de estudo seriam suficientes para as crianças polonesas. Mais de cem anos depois, a cidade reverteu a situação e hoje tem características de cidade universitária. Dos seus 550 mil habitantes, 120 mil são estudantes. Há oito universidades públicas e quase 20 particulares. A mais antiga das universidades leva o nome do poeta polonês Adam Mickiewicz.
Os habitantes se definem como batalhadores e a isso atribuem o franco desenvolvimento da cidade. Hoje, essa é uma das regiões mais ricas da Polônia, com índice de desemprego de 3%. A cidade também tem uma população flutuante, pois muitas pessoas trabalham em Poznan e moram nos arredores. Somada com as cidades adjacentes, a população sobe para 900 mil habitantes.
A religião é também marcante na Polônia, por isso, não há como contar sua história sem falar das igrejas. Em Poznan a Igreja mais antiga é a Catedral, construída na metade do século X. O edifício passou por várias reconstruções e a forma como vemos agora data de 1983. A Catedral é de fato imponente: teto muito alto com pequenas janelas localizadas no topo, colunas de sustentação muito grossas, tudo fazendo alusão ao poder da Igreja Católica.
Outra Igreja digna de nota é a dos Jesuítas, que lembra um pouco o estilo de igrejas de Ouro Preto. Nessas construções o poder é demonstrado muito mais pela riqueza do que pela imponência. Muitos detalhes de ouro marcam esse estilo arquitetônico. Mas na Igreja dos Jesuítas de Poznan, nem tudo é o que parece. Na época de sua construção, a ordem não gozava de tanto dinheiro, por isso tiveram que fazer economias. Assim, ouro maciço só é encontrado no pequeno altar, todos os demais detalhes dourados que refletem em nossos olhos, não passam de pinturas. As paredes são apenas pinturas que imitam o mármore e não a pedra verdadeira. Tampouco existe a cúpula avistada no teto por quem adentra a Igreja, trata-se apenas de ilusão de ótica criada pela pintura. O que, no entanto, não diminui a beleza e a riqueza da construção.
Pintura que imita cúpula na Igreja dos Jesuítas
Mas, sem dúvida, o prédio mais imponente é o da Câmara Municipal, que fica no coração da cidade. Muito destruído na II Guerra Mundial, foi reconstruído em 1955. Já na fachada está a vista muito da história nacional, como a inscrição SAR, que representa o último rei polonês, Stanisław August Poniatowski.
Prédio da Câmara Municipal de Poznan
Segundo lendas locais, o prédio também foi palco de um espetáculo que virou símbolo da cidade: a luta entre duas cabras. Não há consenso na explicação para esse símbolo curioso. Uma história conta que as cabras lutavam em frente à Câmara e as pessoas pararam para assistir aquele ato gracioso e ficaram tão encantadas que queriam tê-las como símbolo. Outra, conta que o dono de duas cabras fugitivas subiu para procurá-las no alto da torre do prédio e pode avistar um incêndio que se principiava. Assim, o pode avisar aos demais habitantes e salvar a cidade a tempo. Independente da veracidade dessas histórias, as cabras estão sempre presentes em Poznan.
Circundando o prédio da câmara está a praça central. Nessas redondezas é possível encontrar muitas “kawiarnias”, ou cafeterias, onde é possível saborear uma sobremesa polaca e tomar uma cerveja. Lugares ideais para descansar da caminhada e refletir sobre a história dessa região.
Cerveza Zywiec e sobremesa de malina, uma framboesa polaca. Recomendo!
