Aspirações e anseios para o futuro



Fico assistindo aos meus sobrinhos em suas brincadeiras. Tão lindos e ainda tão ingênuos. Vendo-os assim, praticamente indefesos ainda, e com sonhos pela frente, penso em como estará o país que deixaremos para eles.

Quero que daqui a alguns anos, eles saibam analisar e reconhecer cada consequência deste movimento que tomou o Brasil. Somente a partir de uma análise consciente eles vão poder dar um passo a mais e tornar o país melhor do que deixamos. Para isso, eles precisam de educação de qualidade. Que tal investir 10% do PIB em educação e nos assegurarmos de que os royalties do pré-sal terão o mesmo destino?

Espero que eles tenham boa saúde para gozar de tudo isso. Para isso, tem que investir na formação de médicos, em um plano de carreira na saúde pública e em infraestrutura. Em nosso município, São Mateus do Sul, assegurar que os royalties da exploração do xisto sejam destinados e bem aplicados na saúde, implantando a tão esperada e necessária UTI e construindo o novo hospital.

Quero que eles vivam em um país em que os direitos humanos sejam respeitados verdadeiramente. Eles precisam ter liberdade religiosa, individual, e que possam fazer o que quiserem, pela própria felicidade, sem sofrerem preconceito. Por isso, sou contra o Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos.

Liberdade, também, de expressão. Nada melhor do que falar o que pensa, e ter educação de qualidade para isso é fundamental para que, politicamente, eles saibam distinguir valores democráticos de outros autoritários. E que, assim, não precisem ter medo da mudança, da força e da oposição.

Espero que eles aprendam que todo mundo, independente de classe social, é responsável pelos seus atos e pelas consequências que esses trazem. Por isso, sou contra a PEC da impunidade, protesto contra o Renan Calheiros no Senado e contra os mensaleiros impunes. 

Meu sonho também é vê-los abrindo mão do carro para usar o transporte público – tão mais sustentável – graças ao plano de mobilidade que (eu espero) pode tornar o transporte publico de qualidade e por preço justo.

Que eles possam conhecer e se maravilhar com a Floresta Amazônica. Então, eu peço pela suspensão das obras de Belo Monte e reavaliação do projeto pelos técnicos e ambientalistas, porque esse é um caminho sem volta.

São tantos mais os desejos, sanar problemas sociais para contribuir com a segurança, planos de habitação para que eles tenham casa própria, saneamento básico para todas as residências, investimento em energia limpa e renovável, cultura plural e acessível...

Mas, o mais importante de tudo: quero que eles vivam em um país democrático! E que os representantes por eles eleitos possam realmente atender aos seus anseios na construção de um Brasil melhor. 

PS: não peço pela pavimentação das ruas... isso os prefeitos garantem nas vésperas de eleição.

Vidas destituídas em Lódz


Pare. Sua vida está por um fio. Esqueça seus planos para o futuro. Deixe de lado todas as pequenas preocupações do cotidiano, elas já não fazem sentido algum. Contas a pagar, anseios profissionais, planos para as férias... passado! Aquela preocupação com os quilinhos a mais também não faz mais sentido, logo você vai perder muito mais que isso.

Você é um judeu de Lódz, Polônia, ano de 1939. Vai viver na pele a criação do primeiro gueto judeu durante a segunda Guerra Mundial, na cidade rebatizada de Litzmannstadt. Deixe toda sua vida para trás. O mundo agora está reduzido a alguns metros quadrados cercados por arames e de fronteira vigiadas. Não há como escapar.

Você não é nada além de um ser faminto, cujas mãos têm alguma serventia para trabalhar feito escravo em uma das fábricas que servem o exército alemão. Você pode torcer para ir logo para uma das covas e não ter que vivenciar todo o sofrimento que se seguirá, como a fome e as deportações para campos de concentração. Se preferir sobreviver, torça para que seu corpo não sucumba a uma doença qualquer. Doente, você se torna um peso para o gueto e é questão de tempo até ser exterminado.

Ore pelos pequenos. Não por seus corpos frágeis, mas por sua alma. Logo eles serão arrancados dos seus braços e quem sabe o que o destino lhes reserva? Qual morte você escolhe para eles? O crânio perfurado por uma bala nazista ou o pulmão asfixiado em uma câmara de gás?

Piedade? Compaixão? Não perca tempo com essas súplicas. No ambiente de raiva não há espaço para sentimentos tão nobres. Apenas para a raiva desmedida e insensata, capaz de cegar homens e corromper seus corações. Raiva que causa dor e mata.

Após anos de privações e sofrimentos, talvez você seja um dos poucos sobreviventes desse extermínio chamado holocausto. Será sua missão levar ao mundo os relatos dos horrores dessa guerra. Talvez, lembrando de tanta dor possa evitar que o horror se repita.
Judeus do gueto de Lódz colocados em trens de carga para serem deportados para o campo de extermínio de Chelmno. Foto tirada em Lodz, Polônia, entre 1942 e 1944. (National Museum of American Jewish History, Philadelphia)


A inspiração para esse texto veio do livro "Os Destituídos de Lódz" de Steve Sem-Sandberg, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Escrito a partir de documentação sobre o episódio sombrio da trajetória humana, o livro relata a história do Gueto de Lodz, que chegou a reunir 200 mil judeus. O comando do gueto ficava a cargo do judeu Mordechai Chaim Rumkowski, figura contraditória, causando discussões a respeito de ele ter sido de fato um colaborador dos nazistas ou apenas alguém que buscou, com astúcia, prolongar a existência do seu povo.

O relato é forte e tocante, mostrando histórias de vidas subjugadas à fome, miséria, condições precárias de higiene e à violências dos guardas nazistas.

Tem estômago para ler sobre isso? Então, compre o livro, vale a pena. Saiba mais aqui.

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Vidas destituídas em Lódz

Sobre este blog

Se tenho um blog e tenho um trabalho de faculdade a fazer, porque não compartilhar essas histórias? Decidi escrever aqui sobre as pessoas que encontro durante a realização do projeto experimental para conclusão do curso de Jornalismo na UFSM. Espero que a leitura desses erelatos seja um prazer.

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Brazil
Estudante de jornalismo. Uma polaca paranaense perdida nas terras gaúchas, mas que não esqeceu suas origens, pois, como disse Paulo Leminski, "pinheiro não se transplanta".

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