O relato é forte e tocante, mostrando histórias de vidas subjugadas à fome, miséria, condições precárias de higiene e à violências dos guardas nazistas.
Marcadores: Gueto de Lodz , Holocausto , II Guerra Mundial , Polônia
“Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”: a frase, de autoria de George Santayna, está colocada em um dos primeiros barracões do Campo de Concentração de Auschwitz e justifica a transformação do local em museu e memorial. Por Auschwitz passaram milhões de pessoas (não há certeza sobre esses dados) e poucos milhares sobreviveram. A maioria era de judeus, mas por ali passaram – e sofreram nas mãos dos nazistas – pessoas provenientes de quase todos os países da Europa, inclusive da Alemanha. O campo impressiona pelo tamanho e pela aura de morte que conserva. Até o cheiro parece diferente.
Marcadores: Auschwitz , II Guerra Mundial , Polônia
Wroclaw é a terceira maior cidade da Polônia, com aproximadamente 650 mil habitantes. Esta localizada na Silésia, região de muitas riquezas minerais, historicamente dividida entre Polônia, República Checa e a Alemanha.
A cidade foi fundada no século X por um príncipe tcheco. Desde então, foi governada por polacos, tchecos e austríacos, além de sofrer em dois momentos o domínio germânico. No fim do século XVIII, quando a Polônia deixou de existir como país, essa região foi dominada pela Prússia. Mais tarde, na II Guerra Mundial, foi invadida pela Alemanha.
Durante a guerra, os habitantes locais foram expulsos, a maioria levados a campos de concentração ou de trabalhos forçados. Assim, apenas os soldados alemães permaneceram em Wroclaw e ali ofereceram uma dura resistência às potências aliadas. Com isso, 60% da cidade foi destruída. Um dos edifícios mais devastados foi o da Catedral, onde a destruição chegou a 70%.
Ao fim da Guerra, o território voltou a pertencer à Polônia. Infelizmente, não havia muitos de seus habitantes nativos para repovoar a cidade. Assim, vieram para Wroclaw os polacos expulsos de territórios ao leste, que foram perdidos pela Polônia depois da Guerra.
Hoje há um esforço do governo local para devolver a posse de prédios desapropriados durante o regime comunista. Infelizmente, nem sempre se encontram as pessoas que têm direito às edificações e vários prédios permanecem sob posse da prefeitura.
Mas nem só de histórias de guerra sobrevive a cidade. Por alguns é considerada a Veneza da Polônia. Isso se deve ao rio Odra que banha a cidade e se divide em vários canais. Por isso, Wroclaw possui mais de cem pontes. Uma delas é conhecida como “Ponte do Amor” e, nos últimos anos, surgiu um costume interessante: casais enamorados levam um cadeado com os seus nomes, fecham-no na ponte e jogam a chave no Rio Odra. Assim, simbolizam a eternidade de seu amor.
No fim do século XVIII, a Polônia deixou de existir como país e seu território foi dividido entre Rússia, Prússia e Áustria. O povo polonês sofreu muito sob domínio dos opressores e, por isso, são dessa época os maiores fluxos de imigração polonesa para o Brasil. A ocupação também influenciou culturalmente os poloneses que permaneceram no país. Embora seja um país pequeno, quase do tamanho do estado do Paraná, as diferenças entre os povos de cada região são bem visíveis. São patriotas, mas tendem sempre a exaltar sua região em detrimento das demais.
Durante os 123 anos de dominação estrangeira, a sede do domínio prussiano encontrava-se em Poznan, às margens do Rio Warta. Naquela época os prussianos determinaram que somente três anos de estudo seriam suficientes para as crianças polonesas. Mais de cem anos depois, a cidade reverteu a situação e hoje tem características de cidade universitária. Dos seus 550 mil habitantes, 120 mil são estudantes. Há oito universidades públicas e quase 20 particulares. A mais antiga das universidades leva o nome do poeta polonês Adam Mickiewicz.
Na década de 1990 – o ano eu não me recordo – meu pai foi à Polônia pela primeira vez. Na ocasião, minha bisavó, que é filha de imigrantes poloneses, pediu que meu pai lhe trouxesse um vidrinho com terra da Polônia. Era a maneira de ela conhecer o solo da pátria de seus pais, para onde eles sonhavam voltar um dia. Infelizmente, assim como tantos outros colonos, não puderam realizar esse sonho.
Há dois dias pisei em terras polonesas pela primeira vez. É como se eu estivesse realizando um pouco daquilo que eles sonhavam. Mas a Polônia é muito mais do que a terra de nossos avôs ou bisavôs.
Com a história marcada por guerras e invasões, há edifícios que remontam a uma época sombria para os polacos, mas essas são minorias. Em geral a Polônia é um país moderno, que foi quase na totalidade reconstruído após a II Guerra Mundial. O domínio comunista a que os poloneses estavam submetidos na época da reconstrução se evidencia no estilo das cidades, especialmente na vias largas que evidenciavam o poder do partido comunista.
O povo polonês que um dia teve que abandonar seu país em busca de melhores condições de vida, hoje deve se orgulhar pelo desenvolvimento do país. Mesmo assim, os polacos não deixaram de preservar sua história. Símbolos marcantes do sofrimento do povo são mantidos, talvez para que as novas gerações conheçam e saibam admirar a história da Polônia. História essa que pretendo aprender e compartilhar nos próximos dias. Quase jornalista que sou, carrego sempre comigo o bloco, a caneta e a câmera fotográfica. Espero que minhas anotações rendam bons textos.
Do zobaczenia
*Até logo
Marcadores: Colonização polonesa , Polônia
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Vidas destituídas em Lódz |
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O inferno de Auschwitz |
“Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”: a frase, de autoria de George Santayna, está colocada em um dos primeiros barracões do Campo de Concentração de Auschwitz e justifica a transformação do local em museu e memorial. Por Auschwitz passaram milhões de pessoas (não há certeza sobre esses dados) e poucos milhares sobreviveram. A maioria era de judeus, mas por ali passaram – e sofreram nas mãos dos nazistas – pessoas provenientes de quase todos os países da Europa, inclusive da Alemanha. O campo impressiona pelo tamanho e pela aura de morte que conserva. Até o cheiro parece diferente.
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A cidade das cem pontes |
Wroclaw é a terceira maior cidade da Polônia, com aproximadamente 650 mil habitantes. Esta localizada na Silésia, região de muitas riquezas minerais, historicamente dividida entre Polônia, República Checa e a Alemanha.
A cidade foi fundada no século X por um príncipe tcheco. Desde então, foi governada por polacos, tchecos e austríacos, além de sofrer em dois momentos o domínio germânico. No fim do século XVIII, quando a Polônia deixou de existir como país, essa região foi dominada pela Prússia. Mais tarde, na II Guerra Mundial, foi invadida pela Alemanha.
Durante a guerra, os habitantes locais foram expulsos, a maioria levados a campos de concentração ou de trabalhos forçados. Assim, apenas os soldados alemães permaneceram em Wroclaw e ali ofereceram uma dura resistência às potências aliadas. Com isso, 60% da cidade foi destruída. Um dos edifícios mais devastados foi o da Catedral, onde a destruição chegou a 70%.
Ao fim da Guerra, o território voltou a pertencer à Polônia. Infelizmente, não havia muitos de seus habitantes nativos para repovoar a cidade. Assim, vieram para Wroclaw os polacos expulsos de territórios ao leste, que foram perdidos pela Polônia depois da Guerra.
Hoje há um esforço do governo local para devolver a posse de prédios desapropriados durante o regime comunista. Infelizmente, nem sempre se encontram as pessoas que têm direito às edificações e vários prédios permanecem sob posse da prefeitura.
Mas nem só de histórias de guerra sobrevive a cidade. Por alguns é considerada a Veneza da Polônia. Isso se deve ao rio Odra que banha a cidade e se divide em vários canais. Por isso, Wroclaw possui mais de cem pontes. Uma delas é conhecida como “Ponte do Amor” e, nos últimos anos, surgiu um costume interessante: casais enamorados levam um cadeado com os seus nomes, fecham-no na ponte e jogam a chave no Rio Odra. Assim, simbolizam a eternidade de seu amor.
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Um encontro com Poznan |
No fim do século XVIII, a Polônia deixou de existir como país e seu território foi dividido entre Rússia, Prússia e Áustria. O povo polonês sofreu muito sob domínio dos opressores e, por isso, são dessa época os maiores fluxos de imigração polonesa para o Brasil. A ocupação também influenciou culturalmente os poloneses que permaneceram no país. Embora seja um país pequeno, quase do tamanho do estado do Paraná, as diferenças entre os povos de cada região são bem visíveis. São patriotas, mas tendem sempre a exaltar sua região em detrimento das demais.
Durante os 123 anos de dominação estrangeira, a sede do domínio prussiano encontrava-se em Poznan, às margens do Rio Warta. Naquela época os prussianos determinaram que somente três anos de estudo seriam suficientes para as crianças polonesas. Mais de cem anos depois, a cidade reverteu a situação e hoje tem características de cidade universitária. Dos seus 550 mil habitantes, 120 mil são estudantes. Há oito universidades públicas e quase 20 particulares. A mais antiga das universidades leva o nome do poeta polonês Adam Mickiewicz.
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A Polônia não pereceu... |
Na década de 1990 – o ano eu não me recordo – meu pai foi à Polônia pela primeira vez. Na ocasião, minha bisavó, que é filha de imigrantes poloneses, pediu que meu pai lhe trouxesse um vidrinho com terra da Polônia. Era a maneira de ela conhecer o solo da pátria de seus pais, para onde eles sonhavam voltar um dia. Infelizmente, assim como tantos outros colonos, não puderam realizar esse sonho.
Há dois dias pisei em terras polonesas pela primeira vez. É como se eu estivesse realizando um pouco daquilo que eles sonhavam. Mas a Polônia é muito mais do que a terra de nossos avôs ou bisavôs.
Com a história marcada por guerras e invasões, há edifícios que remontam a uma época sombria para os polacos, mas essas são minorias. Em geral a Polônia é um país moderno, que foi quase na totalidade reconstruído após a II Guerra Mundial. O domínio comunista a que os poloneses estavam submetidos na época da reconstrução se evidencia no estilo das cidades, especialmente na vias largas que evidenciavam o poder do partido comunista.
O povo polonês que um dia teve que abandonar seu país em busca de melhores condições de vida, hoje deve se orgulhar pelo desenvolvimento do país. Mesmo assim, os polacos não deixaram de preservar sua história. Símbolos marcantes do sofrimento do povo são mantidos, talvez para que as novas gerações conheçam e saibam admirar a história da Polônia. História essa que pretendo aprender e compartilhar nos próximos dias. Quase jornalista que sou, carrego sempre comigo o bloco, a caneta e a câmera fotográfica. Espero que minhas anotações rendam bons textos.
Do zobaczenia
*Até logo
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