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Vidas destituídas em Lódz


Pare. Sua vida está por um fio. Esqueça seus planos para o futuro. Deixe de lado todas as pequenas preocupações do cotidiano, elas já não fazem sentido algum. Contas a pagar, anseios profissionais, planos para as férias... passado! Aquela preocupação com os quilinhos a mais também não faz mais sentido, logo você vai perder muito mais que isso.

Você é um judeu de Lódz, Polônia, ano de 1939. Vai viver na pele a criação do primeiro gueto judeu durante a segunda Guerra Mundial, na cidade rebatizada de Litzmannstadt. Deixe toda sua vida para trás. O mundo agora está reduzido a alguns metros quadrados cercados por arames e de fronteira vigiadas. Não há como escapar.

Você não é nada além de um ser faminto, cujas mãos têm alguma serventia para trabalhar feito escravo em uma das fábricas que servem o exército alemão. Você pode torcer para ir logo para uma das covas e não ter que vivenciar todo o sofrimento que se seguirá, como a fome e as deportações para campos de concentração. Se preferir sobreviver, torça para que seu corpo não sucumba a uma doença qualquer. Doente, você se torna um peso para o gueto e é questão de tempo até ser exterminado.

Ore pelos pequenos. Não por seus corpos frágeis, mas por sua alma. Logo eles serão arrancados dos seus braços e quem sabe o que o destino lhes reserva? Qual morte você escolhe para eles? O crânio perfurado por uma bala nazista ou o pulmão asfixiado em uma câmara de gás?

Piedade? Compaixão? Não perca tempo com essas súplicas. No ambiente de raiva não há espaço para sentimentos tão nobres. Apenas para a raiva desmedida e insensata, capaz de cegar homens e corromper seus corações. Raiva que causa dor e mata.

Após anos de privações e sofrimentos, talvez você seja um dos poucos sobreviventes desse extermínio chamado holocausto. Será sua missão levar ao mundo os relatos dos horrores dessa guerra. Talvez, lembrando de tanta dor possa evitar que o horror se repita.
Judeus do gueto de Lódz colocados em trens de carga para serem deportados para o campo de extermínio de Chelmno. Foto tirada em Lodz, Polônia, entre 1942 e 1944. (National Museum of American Jewish History, Philadelphia)


A inspiração para esse texto veio do livro "Os Destituídos de Lódz" de Steve Sem-Sandberg, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Escrito a partir de documentação sobre o episódio sombrio da trajetória humana, o livro relata a história do Gueto de Lodz, que chegou a reunir 200 mil judeus. O comando do gueto ficava a cargo do judeu Mordechai Chaim Rumkowski, figura contraditória, causando discussões a respeito de ele ter sido de fato um colaborador dos nazistas ou apenas alguém que buscou, com astúcia, prolongar a existência do seu povo.

O relato é forte e tocante, mostrando histórias de vidas subjugadas à fome, miséria, condições precárias de higiene e à violências dos guardas nazistas.

Tem estômago para ler sobre isso? Então, compre o livro, vale a pena. Saiba mais aqui.

O inferno de Auschwitz

“Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”: a frase, de autoria de George Santayna, está colocada em um dos primeiros barracões do Campo de Concentração de Auschwitz e justifica a transformação do local em museu e memorial. Por Auschwitz passaram milhões de pessoas (não há certeza sobre esses dados) e poucos milhares sobreviveram. A maioria era de judeus, mas por ali passaram – e sofreram nas mãos dos nazistas – pessoas provenientes de quase todos os países da Europa, inclusive da Alemanha. O campo impressiona pelo tamanho e pela aura de morte que conserva. Até o cheiro parece diferente.



Inicialmente, o campo tinha a função de repreender a população da polonesa. O primeiro transporte de passageiros aconteceu em 14 de junho de 1940, trazendo prisioneiros políticos poloneses. A entrada por onde se inicia a visita atualmente é a mesma por onde chegavam essas pessoas. Na entrada, viam a inscrição “Arbeit macht frei”, ou seja, o trabalho liberta. Eram recebidos por uma orquestra tocando música alemã, sem saber que se encaminhavam para a morte. Para os que já estavam aprisionados, a música alemã servia como tortura psicológica. A função se modificou quando Hitler adotou o que ele chamou de solução final: exterminar os judeus.

Em Auschwitz, cidade polonesa localizada a poucos quilômetros de Cracóvia, os alemães instalaram dois campos de concentração. No campo de Auschwitz I os visitantes podem circular pelos diferentes prédios, caminhar pelo chão e pelas escadas já gastas, conhecendo um pouco do que os prisioneiros passaram naquele local.

Um dos barracões é destinado para as provas materiais dos crimes cometidos. Ali, estão reunidos os pertences pessoais que eram retirados dos prisioneiros na sua chegada. São montanhas de sapatos. Centenas de óculos. Uma imensidão de panelas e outros pertences pessoais. Há também um grande número de malas com os nomes dos prisioneiros e a data de nascimento, porque, ao chegar a Auschwitz, os soldados alemães pediam que identificassem suas malas para pegá-las quando fossem embora, o que nunca ocorria. Quando as pessoas eram encaminhadas para o extermínio nas câmaras de gás, também costumavam receber toalhas, pensando que iriam para o banho. Diziam que deviam lembrar de onde deixaram suas roupas para pegá-las quando saíssem do banho. Depois que os corpos eram retirados das câmaras de gás, os cabelos das mulheres eram cortados e vendidos para a fabricação de tapetes ou de casacos. Encontram-se exposto uma infinidade de cabelos que foram cortados, bem como um tapete fabricado com cabelo humano. Estudos comprovaram que aquela fabricação continha 30% de cabelo e que possuía resíduos do gás utilizado para assassiná-los. Quando o campo foi invadido e libertado pelos soviéticos em 1945, foram encontrados sete mil quilos de cabelo já empacotado para ser vendido à fábrica que fazia os tapetes.




Além dos alojamentos, nos quais estavam pessoas submetidas a trabalhos escravos e alimentação racionada que levava muitos a morte, havia ainda uma prisão, para onde eram levados por mau comportamento. Ali, muitos eram fuzilados ou torturados. Uma das torturas mais cruéis era a cela para fica em pé. Em um espaço de aproximadamente um metro quadrado eram colocados quatro prisioneiros, que não tinha como sentar-se ou deitar-se. A única ventilação vinha de uma janela minúscula (se é que se pode chamar de janela) que não deve ter mais de 10 centímetros quadrados. O ar insuficiente fazia a maioria dos condenados a essa pena a morrer asfixiados.

Mais adiante, pode-se visitar as câmaras de gás, nas quais era utilizada uma pedra chamada de Ciclone B, que a altas temperaturas se converte em gás tóxico. As câmaras tinham capacidade para 900 pessoas. O processo durava de 5 a 10 minutos. O primeiro experimento com Ciclone foi realizado em setembro de 1941, matando 600 russos e 250 polacos. Depois de retirados das câmaras, os corpos eram incinerados. Hoje também se pode conhecer o incinerador. Ao ver os locais onde tantos horrores aconteceram, muita gente deixa transparecer a emoção em choro compulsivo.

Embora já pareçam horríveis para os visitantes, as condições desse primeiro campo não eram nem comparáveis às do campo de Auschwitz II ou Birkenau, onde as condições eram ainda mais subumanas. Esse era o local ainda mais mortal. A ferrovia atravessava o portal de entrada do campo e chegava até um local aberto no qual os prisioneiros passavam por uma separação. Aquela praça já ficava perto dos locais de extermínio para facilitar o trabalho. São 140 hectares que foram dedicados à morte. Quando se está do lado de dentro desse enorme cemitério, é bom olhar para o outro lado e saber que poderá sair livremente e ileso daquilo que foi um inferno sobre a terra.

A cidade das cem pontes

Wroclaw é a terceira maior cidade da Polônia, com aproximadamente 650 mil habitantes. Esta localizada na Silésia, região de muitas riquezas minerais, historicamente dividida entre Polônia, República Checa e a Alemanha.

A cidade foi fundada no século X por um príncipe tcheco. Desde então, foi governada por polacos, tchecos e austríacos, além de sofrer em dois momentos o domínio germânico. No fim do século XVIII, quando a Polônia deixou de existir como país, essa região foi dominada pela Prússia. Mais tarde, na II Guerra Mundial, foi invadida pela Alemanha.

Durante a guerra, os habitantes locais foram expulsos, a maioria levados a campos de concentração ou de trabalhos forçados. Assim, apenas os soldados alemães permaneceram em Wroclaw e ali ofereceram uma dura resistência às potências aliadas. Com isso, 60% da cidade foi destruída. Um dos edifícios mais devastados foi o da Catedral, onde a destruição chegou a 70%.

Ao fim da Guerra, o território voltou a pertencer à Polônia. Infelizmente, não havia muitos de seus habitantes nativos para repovoar a cidade. Assim, vieram para Wroclaw os polacos expulsos de territórios ao leste, que foram perdidos pela Polônia depois da Guerra.

Hoje há um esforço do governo local para devolver a posse de prédios desapropriados durante o regime comunista. Infelizmente, nem sempre se encontram as pessoas que têm direito às edificações e vários prédios permanecem sob posse da prefeitura.

Mas nem só de histórias de guerra sobrevive a cidade. Por alguns é considerada a Veneza da Polônia. Isso se deve ao rio Odra que banha a cidade e se divide em vários canais. Por isso, Wroclaw possui mais de cem pontes. Uma delas é conhecida como “Ponte do Amor” e, nos últimos anos, surgiu um costume interessante: casais enamorados levam um cadeado com os seus nomes, fecham-no na ponte e jogam a chave no Rio Odra. Assim, simbolizam a eternidade de seu amor.

Cadeados na ponta sobre um dos canais do Rio Odra


A cidade possui também 12 ilhas, das quais cinco estão na região central, e mais de cem pontes. Uma dessas ilhas é chamada de ‘O Vaticano da Polônia’ porque, além de abrigar várias Igrejas, é onde se concentra o poder regional da igreja católica.

Wroclaw se destaca no campo do conhecimento. Nessa cidade, Nicolau Copérnico viveu durante oito anos. Oito também é o número de ganhadores do Prêmio Nobel que estudaram na Universidade de Wroclaw, uma das mais importantes do país.

Esta cidade é um importante destino turístico da Polônia. No centro, os turistas podem observar a segunda maior praça polaca, que mede aproximadamente quatro hectares, ficando, em tamanho, atrás apenas da praça de Cracóvia. Além de uma das maiores, é certamente uma das mais belas.



Um prédio localizado nesta praça chama a atenção de quem passa por sua beleza e riqueza de detalhes, é o prédio da antiga Câmara Municipal, onde atualmente funciona um museu. Construído no século XIII e reconstruído nos séculos XIV, XV e XVI, o edifício traz uma mistura de elementos góticos e renascentistas. É o prédio gótico civil mais importante da Europa.

Nos porões da antiga Câmara Municipal está localizada uma das mais antigas cervejarias do mundo, que surgiu no mesmo período que a cervejaria de Praga, na república Tcheca.

Prédio antigo da Câmara Municipal, localizado na Praça Central


A poucos metros da praça central, também é possível saborear um virado paulista ou qualquer outro prato típico brasileiro. É uma boa pedida para quem, em poucos dias fora do seu país, sente aquela saudade imensa do simples feijão com arroz.

Um encontro com Poznan

No fim do século XVIII, a Polônia deixou de existir como país e seu território foi dividido entre Rússia, Prússia e Áustria. O povo polonês sofreu muito sob domínio dos opressores e, por isso, são dessa época os maiores fluxos de imigração polonesa para o Brasil. A ocupação também influenciou culturalmente os poloneses que permaneceram no país. Embora seja um país pequeno, quase do tamanho do estado do Paraná, as diferenças entre os povos de cada região são bem visíveis. São patriotas, mas tendem sempre a exaltar sua região em detrimento das demais.

Durante os 123 anos de dominação estrangeira, a sede do domínio prussiano encontrava-se em Poznan, às margens do Rio Warta. Naquela época os prussianos determinaram que somente três anos de estudo seriam suficientes para as crianças polonesas. Mais de cem anos depois, a cidade reverteu a situação e hoje tem características de cidade universitária. Dos seus 550 mil habitantes, 120 mil são estudantes. Há oito universidades públicas e quase 20 particulares. A mais antiga das universidades leva o nome do poeta polonês Adam Mickiewicz.

Prédio histórico da Universidade Adam Mickiewicz, onde hoje funciona a sede administrativa e o curso de Direito.

Os habitantes se definem como batalhadores e a isso atribuem o franco desenvolvimento da cidade. Hoje, essa é uma das regiões mais ricas da Polônia, com índice de desemprego de 3%. A cidade também tem uma população flutuante, pois muitas pessoas trabalham em Poznan e moram nos arredores. Somada com as cidades adjacentes, a população sobe para 900 mil habitantes.

A religião é também marcante na Polônia, por isso, não há como contar sua história sem falar das igrejas. Em Poznan a Igreja mais antiga é a Catedral, construída na metade do século X. O edifício passou por várias reconstruções e a forma como vemos agora data de 1983. A Catedral é de fato imponente: teto muito alto com pequenas janelas localizadas no topo, colunas de sustentação muito grossas, tudo fazendo alusão ao poder da Igreja Católica.


Outra Igreja digna de nota é a dos Jesuítas, que lembra um pouco o estilo de igrejas de Ouro Preto. Nessas construções o poder é demonstrado muito mais pela riqueza do que pela imponência. Muitos detalhes de ouro marcam esse estilo arquitetônico. Mas na Igreja dos Jesuítas de Poznan, nem tudo é o que parece. Na época de sua construção, a ordem não gozava de tanto dinheiro, por isso tiveram que fazer economias. Assim, ouro maciço só é encontrado no pequeno altar, todos os demais detalhes dourados que refletem em nossos olhos, não passam de pinturas. As paredes são apenas pinturas que imitam o mármore e não a pedra verdadeira. Tampouco existe a cúpula avistada no teto por quem adentra a Igreja, trata-se apenas de ilusão de ótica criada pela pintura. O que, no entanto, não diminui a beleza e a riqueza da construção.
Pintura que imita cúpula na Igreja dos Jesuítas

Mas, sem dúvida, o prédio mais imponente é o da Câmara Municipal, que fica no coração da cidade. Muito destruído na II Guerra Mundial, foi reconstruído em 1955. Já na fachada está a vista muito da história nacional, como a inscrição SAR, que representa o último rei polonês, Stanisław August Poniatowski.

Prédio da Câmara Municipal de Poznan


Segundo lendas locais, o prédio também foi palco de um espetáculo que virou símbolo da cidade: a luta entre duas cabras. Não há consenso na explicação para esse símbolo curioso. Uma história conta que as cabras lutavam em frente à Câmara e as pessoas pararam para assistir aquele ato gracioso e ficaram tão encantadas que queriam tê-las como símbolo. Outra, conta que o dono de duas cabras fugitivas subiu para procurá-las no alto da torre do prédio e pode avistar um incêndio que se principiava. Assim, o pode avisar aos demais habitantes e salvar a cidade a tempo. Independente da veracidade dessas histórias, as cabras estão sempre presentes em Poznan.

Circundando o prédio da câmara está a praça central. Nessas redondezas é possível encontrar muitas “kawiarnias”, ou cafeterias, onde é possível saborear uma sobremesa polaca e tomar uma cerveja. Lugares ideais para descansar da caminhada e refletir sobre a história dessa região.
Cerveza Zywiec e sobremesa de malina, uma framboesa polaca. Recomendo!

A Polônia não pereceu...

Na década de 1990 – o ano eu não me recordo – meu pai foi à Polônia pela primeira vez. Na ocasião, minha bisavó, que é filha de imigrantes poloneses, pediu que meu pai lhe trouxesse um vidrinho com terra da Polônia. Era a maneira de ela conhecer o solo da pátria de seus pais, para onde eles sonhavam voltar um dia. Infelizmente, assim como tantos outros colonos, não puderam realizar esse sonho.

Há dois dias pisei em terras polonesas pela primeira vez. É como se eu estivesse realizando um pouco daquilo que eles sonhavam. Mas a Polônia é muito mais do que a terra de nossos avôs ou bisavôs.

Com a história marcada por guerras e invasões, há edifícios que remontam a uma época sombria para os polacos, mas essas são minorias. Em geral a Polônia é um país moderno, que foi quase na totalidade reconstruído após a II Guerra Mundial. O domínio comunista a que os poloneses estavam submetidos na época da reconstrução se evidencia no estilo das cidades, especialmente na vias largas que evidenciavam o poder do partido comunista.

O povo polonês que um dia teve que abandonar seu país em busca de melhores condições de vida, hoje deve se orgulhar pelo desenvolvimento do país. Mesmo assim, os polacos não deixaram de preservar sua história. Símbolos marcantes do sofrimento do povo são mantidos, talvez para que as novas gerações conheçam e saibam admirar a história da Polônia. História essa que pretendo aprender e compartilhar nos próximos dias. Quase jornalista que sou, carrego sempre comigo o bloco, a caneta e a câmera fotográfica. Espero que minhas anotações rendam bons textos.

Do zobaczenia
*Até logo

O contraste de estilos arquitetônicos. O prédio da frente é um moderno shopping de Varsóvia, capital da Polônia. Ao fundo, vê-se o prédio mal visto pelos polacos por ser um símbolo do domínio comunista.

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Vidas destituídas em Lódz

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O inferno de Auschwitz

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A cidade das cem pontes

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Um encontro com Poznan

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A Polônia não pereceu...

Sobre este blog

Se tenho um blog e tenho um trabalho de faculdade a fazer, porque não compartilhar essas histórias? Decidi escrever aqui sobre as pessoas que encontro durante a realização do projeto experimental para conclusão do curso de Jornalismo na UFSM. Espero que a leitura desses erelatos seja um prazer.

Quem sou eu

Brazil
Estudante de jornalismo. Uma polaca paranaense perdida nas terras gaúchas, mas que não esqeceu suas origens, pois, como disse Paulo Leminski, "pinheiro não se transplanta".

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