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Uma caixa de velhas lembranças

A um baú, em que se guardam pequenos tesouros, a memória humana se assemelha. A alguns, basta abrir esse baú e deixar que as memórias vazem e alcancem os ouvintes mais próximos. Para outros, é necessário vasculhar as lembranças e encontrar uma forma de conservar as mais preciosas.

Tadeu Przyvitowski tem 72 anos e é neto de imigrantes poloneses. Em sua memória, ele guarda muitas recordações da sua infância, das histórias que seu avô Vicente contava, bem como das músicas e orações em polonês que aprendeu desde pequeno.

Com a voz rouca de quem é capaz de dar cabo de cinco cigarros em pouco mais de duas horas, ele narra suas histórias. São recordações de um tempo diferente, de uma vida dura, mas que deixa saudades. De quando a Colônia Iguaçu, em que hoje ele mora com a esposa e com a filha, tinha umas poucas casas. Quando a única Igreja existente era a Matriz de São Mateus e os colonos andavam quilômetros a pé ou de carroça até a missa. Bicicleta era artigo de luxo.

Naquele tempo, o respeito dos filhos para com o pai era diferente. Nos finais de semana, ou nos fins de tarde, era muito comum as famílias se visitarem. Nessas ocasiões, os mais velhos se reuniam dentro da casa para conversar, enquanto a piazada ia para uma cozinha que ficava para fora da casa, para não escutar a conversa alheia.

O polonês era a língua utilizada por esses colonos, mas que foi se perdendo com o tempo. Hoje, dos três filhos de Seu Tadeu, só Ana, que ainda mora com os pais, conversa em polonês. Já os netos, sequer aprenderam a língua dos antepassados.

Sentado em uma cadeira de balanço na varanda de casa, seus pequenos olhos azuis deixam transparecer o desejo que a cultura popular trazida pelos imigrantes da Polônia não se perca. Acostumado a cantar e a rezar em polonês nas celebrações da capela de sua Colônia ele decidiu fazer algo mais.

Há algum tempo deu início ao empreendimento de gravar o que aprendeu com o avô em fitas cassetes. Até agora são quatro fitas completas com músicas e orações. O próximo passo é encontrar ajuda para digitalizar e organizar o conteúdo. Assim, ele vai deixando seu baú de memórias em ordem, pronto para compartilhar com quem se interesse.

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Uma caixa de velhas lembranças

Sobre este blog

Se tenho um blog e tenho um trabalho de faculdade a fazer, porque não compartilhar essas histórias? Decidi escrever aqui sobre as pessoas que encontro durante a realização do projeto experimental para conclusão do curso de Jornalismo na UFSM. Espero que a leitura desses erelatos seja um prazer.

Quem sou eu

Brazil
Estudante de jornalismo. Uma polaca paranaense perdida nas terras gaúchas, mas que não esqeceu suas origens, pois, como disse Paulo Leminski, "pinheiro não se transplanta".

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