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Entre datas, nomes e subversões

Cuidado. Atrás daquele balcão de banca de jornal encontra-se um homem subversivo. Quem entra na Banca Nadolny, certamente, não se sente ameaçado por aquele senhor de cabelos brancos e de porte físico que pende mais para o tipo franzino. Ah... mas ele já botou medo em militares e generais.

Nos idos da ditadura militar, Romeu Nadolny trabalhava na Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto (SIX) da Petrobras em São Mateus do Sul. A chefia da SIX naquela época não ficava em São Mateus. Romeu compara a situação daquele tempo com o colonialismo no Brasil. Como colônia de Portugal, as terras brasileiras serviam só para abastecer a coroa portuguesa. Assim, a SIX em São Mateus servia para abastecer a chefia da Petrobras. Tudo para a coroa, nada para a colônia.

Por ser contra, Romeu levou muito mais do que o rótulo de subversivo. Foi demitido, junto com outros companheiros, num processo intitulado de “expurgo” na imprensa da região. Hoje, ele mostra um atestado conseguido num quartel de Curitiba de que nada consta contra ele nos registros.

O atestado de bom cidadão de acordo com a lei hoje está cuidadosamente alocado em uma pasta catálogo, junto com o manifesto escrito por colegas de trabalho traidores e enviado aos superiores que acabou causando o “expurgo”. Romeu é assim. Guarda tudo. Documentos. Fotos. Livros. Datas e nomes. Parece uma biblioteca em carne viva. E do tipo raro: especializada na história de São Mateus do Sul. Nessa biblioteca, há estantes sobre a colonização polonesa, sobre a navegação no Rio Iguaçu, sobre extração da erva mate, sobre a exploração do xisto e sobre as falhas de certas personalidades são-mateuenses.

Aquele senhor atrás do balcão é de fato subversivo. Vai contra os que acham que documentos não têm importância. Que madeiras de construções antigas têm que ser jogadas fora. E, especialmente, contra os que acham que a história da sua terra não tem valor. Quem dedica um pouco do seu tempo a ouvir aquele senhor subversivo, certamente levará muita informação e conhecimento consigo.

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Entre datas, nomes e subversões

Sobre este blog

Se tenho um blog e tenho um trabalho de faculdade a fazer, porque não compartilhar essas histórias? Decidi escrever aqui sobre as pessoas que encontro durante a realização do projeto experimental para conclusão do curso de Jornalismo na UFSM. Espero que a leitura desses erelatos seja um prazer.

Quem sou eu

Brazil
Estudante de jornalismo. Uma polaca paranaense perdida nas terras gaúchas, mas que não esqeceu suas origens, pois, como disse Paulo Leminski, "pinheiro não se transplanta".

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